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sábado, 14 de agosto de 2021

Alfredo Volpi - Biografia e Principais Obras


“Eu não falo, eu pinto”
Alfredo Volpi foi artista plástico ítalo-brasileiro. É considerado um dos principais artistas da Segunda Geração do Modernismo Brasileiro. De origem modesta, o artista não teve uma educação formal em arte. Ganhou destaque com pinturas representando casarios e bandeirinhas de festas juninas (sua marca registrada).


Alfredo Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 1896 e faleceu em São Paulo em 1988. Veio ao Brasil com seus pais, com apenas um ano e meio. Volpi nunca se naturalizou, mas seu coração era brasileiro. Desde pequeno gostava de misturar tintas e criar novas cores. Sempre foi fortemente ligado à Itália, um grande admirador dos mestres pintores de sua terra natal. Filho de operários imigrantes, operário também se tornou. Tentou a vida como carpinteiro, entalhador de móveis, encadernador, pintor de paredes e por fim pintor-decorador de paredes. Aos 16 anos de idade pintava frisos, florões e painéis nas paredes das mansões paulistanas; foi aos 16 anos que pintou a sua primeira aquarela. Aos 18 anos, ele pintou sua primeira obra de arte, sobre a tampa de uma caixa de charutos, usando tinta a óleo.

O artista sempre valorizou o trabalho artesanal, construindo suas próprias telas, pincéis e tintas. Num processo típico de um pintor do Renascimento, fazia suas tintas diluídas em uma emulsão de verniz e clara de ovo, em que ele adicionava pigmentos naturais purificados (terra, ferro, óxidos, argila colorida por óxido de ferro) e ressecados ao sol.

Mesmo tendo nascido na Itália, Volpi é um dos mais importantes artistas brasileiros deste século. Antes de qualquer coisa, trata-se de um pintor original, que inventou sozinho sua própria linguagem. Foi um auto didata. Sua evolução foi natural, tendo chegado à abstração por caminhos próprios, trabalhando e dedicando-se a essa descoberta. Volpi brincava com as formas, as linhas e as cores. Nunca acreditou em inspiração.

Volpi não participou dos movimentos modernistas da década de 20, apoiados pela elite brasileira. Manteve-se à parte desses grupos. Não teve acesso aos mestres europeus, como era comum na época. Em 1925 iniciou sua participação em mostras coletivas.

Entre 1937 e 1940 tornou-se membro do Grupo Santa Helena onde conheceu o pintor paulista Ernesto de Fiori, que iria influenciá-lo de maneira decisiva.
O grupo era formado por artistas paulistas que se reuniam no palacete Santa Helena, desenvolvendo pinturas que retratavam cenas da vida e da paisagem dos arredores de São Paulo. Participou das primeiras manifestações artísticas contra os modernistas de 1922, junto com outros pintores do Grupo Santa Helena, como Bonadei, Rebolo, Clóvis Graciano, Pennacchi, Mário Zanini.

Volpi expôs no Salão de Maio e na 1ª Exposição da Família Artística Paulista, em 1938, ambos em São Paulo. No ano seguinte, depois de uma viagem a Itanhaém, no litoral sul paulista, começou a pintar paisagens marinhas. Participou do 7º Salão Paulista de Belas-Artes em 1940.
Ainda em 1940, ganha o concurso promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, com trabalhos realizados com base nos monumentos das cidades de São Miguel e Embu e encanta-se com a arte colonial, voltando-se para temas populares e religiosos. Realiza trabalhos para a Osirarte, empresa de azulejaria criada em 1940, por Rossi Osir. Em 1944 realizou sua primeira exposição individual, em São Paulo, na Galeria Itá, onde vendeu todas as telas, inclusive uma para Mário de Andrade. Em 1950, viaja para a Europa acompanhado de Rossi Osir e Mario Zanini, quando se impressiona com obras pré-renascentistas.

A partir da década de 1950, Volpi, passa a executar composições que gradativamente caminham para a abstração tendo como exemplo a série de bandeiras e mastros de festas juninas. É convidado a participar, em 1956 e 1957, das Exposições Nacionais de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo Concreto. Recebe, em 1953, o prêmio de Melhor Pintor Nacional da Bienal Internacional de São Paulo, dividido com Di Cavalcanti; em 1958, o Prêmio Guggenheim; em 1962 e 1966, o de melhor pintor brasileiro pela crítica de arte do Rio de Janeiro, entre outros.

As formas geométricas e as trocas cromáticas começaram nos anos 1970: Volpi preparava várias pinturas parecidas, alterando cores, que os críticos definem como uma combinação inventiva. É a fase das bandeirinhas, sua maior contribuição para a arte brasileira moderna, expressa em seu trabalho “Bandeiras e Mastros”. Só pintava com a luz do sol e se envolvia totalmente com a criação de sua obra, o que incluía esticar o linho para as telas. Depois de dominar a técnica da têmpera com clara de ovo, o artista nunca mais usou tintas industriais – “elas criam mofo e perdem vida com o passar do tempo”, dizia.









































No vídeo abaixo, dez curiosidades e principais obras de Alfredo Volpi:


DICA: Não deixe de ler o livro "Alfredo — Pinturas e Bordados" quem assina é o engenheiro Marco Antonio Mastrobuono, também presidente do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna.


sexta-feira, 13 de agosto de 2021

OSGÊMEOS - A arte dos irmãos grafiteiros




OSGÊMEOS, irmãos paulistanos, gêmeos idênticos, nascidos em 1974, grafiteiros de São Paulo, Otávio e Gustavo Pandolfo, são formados em desenho de comunicação pela Escola Técnica Estadual Carlos de Campos, começaram a pintar grafites em 1987 no bairro em que cresceram, o Cambuci, e gradualmente tornaram-se uma das influências mais importantes na cena paulistana, ajudando a definir um estilo brasileiro de grafite.



A trajetória artística dos paulistas Otávio e Gustavo teve início no período em que a cultura hip-hop ganhou força no Brasil. Em seus primeiros passos, os irmãos encontraram dificuldades, o preço do spray no país era elevado e o material de baixa qualidade. Logo, os dois começaram a pintar com pincéis e rolos comuns. O momento chave na carreira dos “gêmeos” aconteceu em 1993, quando os dois, influenciados por Barry McGee, largaram seus empregos e decidiram ganhar a vida como artistas. Hoje, “OSGÊMEOS” são apontados como expoentes do grafite e da arte urbana, possuem um estilo próprio e têm muros grafitados nos quatro cantos do planeta - EUA (Nova York, Los Angeles, São Francisco), Austrália, Alemanha, Portugal, Itália, Grécia, Espanha, China, Japão, Cuba, Chile e Argentina.

Os gêmeos criaram uma linguagem própria, facilmente identificável, e quase sempre dispensam a assinatura em seus trabalhos. Os temas vão de retratos de família à crítica social e política.

OSGÊMEOS foram influenciados pelo pintor Alfredo Volpi? 

Existe esta questão sobre a suposta influência do artista no estilo de pintura de OSGÊMEOS. Nota-se que bandeirinhas, se repetem nos traje de vários dos personagens criados pelos irmãos, estas teriam a mesma origem das que, a partir dos anos 50, tornaram-se frequentes na obra de Volpi, segundo os irmãos, tratam-se das bandeirinhas presente n as festividades juninas (São João, Santo Antônio e São Pedro). Alfredo Volpi (nascido na Itália em 1896 e falecido em 1988), como OSGÊMEOS, morou quase toda a sua vida no Bairro do Cambuci. Gustavo conta que, quando crianças, ele e o irmão estiveram, em certa ocasião, no ateliê do artista. "Gostamos do trabalho dele, mas não virou influência", ressalta.

"A gente tem muito dessa coisa do brasileiro, do improviso, das coisas que o brasileiro faz para se virar. Tem muito dessas improvisações no nosso trabalho", argumenta Otávio, aludindo ao fato de que Volpi, além de auto-didata, se encarregava de fazer seus próprios pincéis e telas. Outra "coincidência": o artista, que veio da Itália ainda criança, iniciou-se na pintura como "decorador de paredes", ou seja, fazendo uso do mesmo tipo de suporte que, décadas mais tarde, notabilizaria os gêmeos do Cambuci.

A dupla ganha cada vez mais destaque no mundo da arte, mas prefere ver o movimento da street art fora das galerias. “Eu acho que se a gente saiu da rua, não é grafite”, enfatiza Gustavo.



Conheça um pouco mais sobre o trabalho dos irmãos grafiteiros:













Castelo Escocês Grafitado pelos OSGÊMEOS:



Assista o vídeo:

 
Para visitar o site oficial de OSGÊMEOS clique AQUI.